RELATÓRIO DOS GRUPOS DE TRABALHO DO XIV FÓRUM NACIONAL
DAS ESCOLAS MÉDICAS – VITÓRIA/ES, 23 NOVEMBRO DE 2004
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GRUPO 1: Gestão da Transformação

ONDE SE QUER CHEGAR?

– Construção de massa crítica
– Reconhecimento do caráter político da transformação, enquanto rearranjo de poder
– Gestão coletiva, participativa, colegiada
– Apropriação do projeto por parte dos docentes e discentes
– Participação paritária de discentes e docentes
– Integração dos profissionais da rede de serviços ao processo de gestão
– Trabalho articulado com hospital de ensino
– Cenários de prática educacional vinculados aos serviços e as necessidades de saúde da população segundo uma perspectiva loco-regional
– Integração máxima da universidade com a comunidade, na perspectiva de se propor o atendimento das necessidades de saúde da população

COMO FAZER?

– Ampliação da discussão de forma a envolver a totalidade dos atores
– Instrumentalização dos participantes do processo de transformação curricular com os conhecimentos básicos necessários
– Legitimação e incentivo à participação discente
– Estruturação de fóruns colegiados com os diversos atores
– Discussão do processo de transformação concomitante e contínua à implementação das propostas
– Elaboração de estratégia de construção de parceria com ganho para todos os atores envolvidos
– Participação dos atores externos na formulação do projeto pedagógico
– Participação dos gestores e profissionais da rede em todos os níveis de planejamento e avaliação
– Valorização da participação dos diferentes setores
– Valorização dos PEP’s
– Pactuação com o usuário e com a rede de serviços com vistas à integração assistência-docência


COMO AVALIAR?

– Institucionalização da avaliação
– Avaliação contextualizada e adequada aos padrões de cada escola
– Visualização da correlação de forças políticas dentro de cada escola referentes aos interesses envolvidos no processo de transformação curricular
– Fomento à capacitação, reciclagem e avaliação docente
– Utilização e divulgação dos resultados como instrumento motivador das mudanças


GRUPO 2: Construção de Conhecimento Pelo Discente

ONDE SE QUER CHEGAR? (IMAGEM-OBJETIVO)

- Discentes “capacitados” para buscar ativamente a construção do conhecimento;
- Romper com o hábito da aprendizagem passiva (mudança de convicção);
- Docentes e discentes sensibilizados;
- Formação de um médico humano, generalista, critico, enfim, um bom profissional
- Estudante com visão crítica da ciência e da pesquisa.
- Estudante que saiba lidar com a informação de uma maneira dialética e critica, baseada em pressupostos baseados nas necessidades dos SUS.
- Estudante que seja um transformador social
- Formação geral baseada em competências e autonomia, aluno capaz de analisar e sintetizar seu conhecimento.
- Mudança no perfil do estudante de medicina : solucionador não, interventor sim..


COMO CHEGAR? (CAMINHOS)

- Capacitação discente para os trabalhos em equipe
- Utilização de metodologias ativas, mas não como mote da formação, utilizando como este a necessidade de saúde
- Reforço externo, que qualifique como importante a mudança da aprendizagem passiva para ativa na aquisição de competências em resolver problemas concretos de saúde da população.
- Valorização da extensão universitária.
- Gerar responsabilidades: grupo, individual, com o paciente, com a instituição.
- Gerar oportunidades: pesquisa original, critica de pesquisa, organização social.
- Trabalhar com competências com as sociedades de especialistas
- O trabalho do docente além da nota.
- Valorizar as áreas verdes (atividades eletivas ou extra-curriculares)
- Exposição precoce e permanente à epidemiologia e à epistemiologia.
- Mostrar a relevância do conteúdo básico na pratica medica
- Trabalhar a psicologia médica dentro da enfermaria.
- Mostrar ao estudante a importância do modelo que se quer.
- Motivação dos estudantes em relação às praticas humanísticas e sociais.
- Desenvolver reflexão e autonomia dos estudantes
- Estimular a busca pela atitude ativa do discente
- Metodologias ativas, PBL, problematizações. Aluno vai atrás do conhecimento para atingir sua solução
- ´Capacitação docente´
- Problematização utilizando vivências, respeitando as individualidades
- Utilizar a ciência como ferramenta.

COMO AVALIAR?

INDICADORES:

- Tempo/aluno, em relação à sala de aula;
- Tempo/aluno em relação ao espaço verde;
- Tempo/aluno no serviços de saúde;
- Tempo/docente em sala de aula;
- Tempo/docente em tutorias;
- Tempo/docente em atividades de qualificação da sua atividade pedagógica (capacitação docente);
- Tempo/docente em serviços de saúde;
- Tempo/docente livre;
- Evolução do Tempo/aluno em sala de aula antes e depois da implmentação do novo currículo
- Tempo/docente em atividades de orientação aos estudantes;
- Métodos de avaliação formativa;
- Iniciação científica;
- Projetos de extensão;
- Laboratórios de habilidades;
- Biblioteca informatizada, com acesso a bancos de dados da área médica;


GRUPO 3: Papel do Docente

INDICADORES PARA AVALIAÇÃO DO CORPO DOCENTE

- Horas de treinamento em capacitação docente
- Grau de satisfação dos alunos com o docente
- Real utilização de metodologias ativas
- Participação em congressos sobre educação
- Participação em atividades de planejamento
- Sistema de avaliação do discente utilizado pelo professor
- Conhecimento do projeto pedagógico
- Coerência do plano de ensino
- Assiduidade / pontualidade / cumprimento dos prazos
- Cumprimento das metas


GRUPO 4: Integração Ensino-Pesquisa-Extensão/ Assistência e Identificação das Necessidades de Saúde

IMAGEM – OBJETO

- Ensino/ pesquisa/ extensão /assistência
- Pesquisa – ação
- Balizados pelas necessidades de saúde sob a ótica da população
- Atividade educativa: parceria academia/serviço (vínculo, compromisso); sistema de saúde/academia(políticas de saúde); ter como objeto de estudo a realidade; cenários variados
- É atividade multiprofissional e interdisciplinar
- Papel transformador da integração ensino-serviço;
- Docentes, profissionais e serviços preparados para essas atividades;

AVALIAÇÃO

- Construção de instrumentos formais, consensuais, completos (necessidade de discussão mais ampla desse aspecto);
- Determinação de carga horária mínima dessas atividades nos currículos;
- Comissão criada pela Abem poderia coordenar a discussão desses estágios;
- Nível de expansão de novos cenários;
- Espaços formais de negociação e planejamento das ações entre universidade, serviços e controle social;
- Flexibilidade e espaços verdes no currículo que permitam a participação dos alunos, e validação real no currículo;
- Existência de incentivos para a participação docente e discente, e linhas de pesquisa;
- Validação da participação discente no currículo;
- Seleção dos conteúdos dos currículo;
- Existência de articulação a nível local entre ações acadêmicas e dos serviços;
- Existência de processos avaliativos dessas experiências, qualitativos e quantitativos, sob a ótica discente, docente, dos serviços e da comunidade;
- Presença de resultados da ação , do ponto de vista de transformação da realidade e das condições de saúde da população;


MULTIPROFISSIONALIDADE E INTERSETORIALIDADE

- Os cursos da área de graduação deveriam passar por revisão para se adequar a uma nova lógica do processo de trabalho, considerando a saúde como muito mais que questões biológicas, incorporando outros saberes, diversos profissionais, mas esta reflexão está precária.
- Garantir a participação de todos os atores nesse processo (estudantes);
- Apoio às atividades do Forum de entidades das áreas da saúde (oficinas, pesquisas);
- Organização de fórum de discussão aberto para conhecer experiências, trocas, discutir operacionalização com presença de representantes das diversas áreas da saúde;
- Oficinas regionais entre cursos das diversas áreas da saúde para relato de experiências e conhecer trabalhos de multiprofissionalidade;
- Utilização dos fóruns já existente mas com representantes de outras entidades de ensino na área de saúde
- Mudança no formato dos eventos que privilegie espaços de troca de experiência e problematização das dificuldades, buscando um processo de educação permanente nestes espaços;
- Abem fomentando/ incentivando experiências como VERSUS , e a incorporação dessas experiências de forma contínua nos currículos;
- Criar espaços de vivência e trocas de experiências entre docentes de diferentes áreas da saúde para discussão do SUS , p.e.VERSUS ;
- Viabilizar espaços formais nos currículos que permitam o contato de alunos de diferentes cursos; incentivo a projetos de extensão; cuidado integral como eixo das reformas curriculares;
- Abem estimulando políticas que dêem um valor real nos cursos, de experiências nesse sentido, discutir estratégias para garantir o compromisso das escolas;
- Valorizar linhas de pesquisa com esta temática;
- Institucionalização da discussão desses temas nas escolas médicas;
- Posicionamento da Abem em relação a discussão da regulamentação das profissões;
- Apoio às residências multiprofissionais;


GRUPO 5: Interdisciplinaridade

Proposta de indicadores para avaliação da implementação da mudança das escolas médicas, no enfoque da Interdisciplinaridade:

Existência de:
- Espaço formal de discussão entre os docentes; entre docentes e discentes, bem como entre os gestores das unidades de ensino da área da saúde (com a garantia da representação estudantil legitima);
- Processo de educação permanente dos docentes, que busque um reflexão sobre metodologias pedagógicas e sobre o processo da mudança da escola médica;
- Espaço formal de discussão a respeito das implicações burocráticas da universidade (p. ex.: a questão da carga horária, da estrutura departamental, etc)
- Vínculo entre a escola médica e a rede do Sistema Único de Saúde, na garantia da diversificação dos cenários de ensino, e da problematização da pratica interdisciplinar.
- Método de avaliação do processo de mudança


GRUPO 6: Cenários de Ensino-Aprendizagem

1º Momento: Identificação dos cenários existentes: Salas de aulas, HU´s, laboratórios de prática, espaços do sistema de saúde, comunidades, sistema privado de saúde, cenários do currículo paralelo.
2º Momento: Como deveria ser:
Orientação constante por um docente, estudante inserido na comunidade, pacto entre serviço e ensino, educação permanente
3º Avaliação dos cenários: (princípios)
- Auto avaliação, avaliação discente e docente (somativa e formativa), inter-avaliação dos discentes, avaliação da postura e da ética.
- Presença de docente fixo.
- Comissão permanente de avaliação crítica e fóruns de discussão compostos por docentes, discentes, funcionários, técnicos e outros atores.
- Estímulo para a realização de pesquisas acerca do processo de avaliação. Fóruns de discussão com os diversos atores.


GRUPO 7: Avaliação de Competência, Habilidades e Conteúdos

- Elaboração de avaliações que reflitam a pactuação prévia de objetivos claros de integração entre os conhecimentos e relevância social dos conteúdos
- Carga horária docente alocada para elaboração de instrumentos de avaliação
- Iniciativas de valorizar a revisão/discussão dos métodos, instrumentos e dos conteúdos da avaliação como uma oportunidade de aprendizagem
- Democratização através da garantia do acesso aos instrumentos de avaliação
- Realização de Fóruns/Comitês com participação de discentes e docentes para discutir e aprimorar instrumentos de avaliação
- Iniciativas de capacitação-educação permanente voltadas para aprimoramento da avaliação do ensino-aprendizagem (discente e docente)
- Diversidade de iniciativas de avaliação em cada período/fase/ano/série
- Existência de avaliações interdisciplinares cujo resultado incida nas diferentes disciplinas
- Coerência-clareza entre objetivos educacionais e iniciativas de avaliações
- Criação de espaços regionais e nacionais para discussão e proposição de políticas em avaliação
- Que a avaliação seja uma das linhas prioritárias de produção de conhecimento dentro da ABEM
- Estimular intercâmbios de experiências bem sucedidas em avaliação.